Zadig ou o Destino é uma novela de Voltaire com ensinamentos bastante pertinentes da vida.
O protagonista, Zadig, é um homem bom, justo, inteligente e sábio.
O que deveria ser uma dádiva é, na vida dele, uma espécie de maldição: justamente por ter todas essas qualidades a sua vida muitas vezes vai mal.
Rei-escravo-livre-prisioneiro-rico-pobre- amante-solitário - eis sua dictomia.
Na verdade, o fato de ele muitas vezes se dar mal justamente por ser sábio é apenas uma metáfora exagerada para dizer que não importa quem é o homem, ele não escapará dos infortúnios da vida..
Ou melhor: ele não escapará dos caprichos de seu destino.
Este tipo de lição é um antídoto às promessas das religiões atuais, cada vez mais materialistas, como também à inveja gerada pela cultura de ostentação.
Para as religiões atuais, quanto mais você faz o bem ao próximo - que na maioria das vezes é um mal - quanto mais você tem uma moral elevada, quanto mais você orar e meditar, mais saudável e rico você será...
De vez em quando vejo alguns religiosos ostentando uma vida feliz nas mídias sociais, como se a religião delas não permitisse que os mesmos sofram dos infortúnios do destino.
Tudo está bom, gratidão aqui e ali, namastê.
Eu acho muito bonito tudo isto, principalmente agradecer, mas tentar solidificar uma vida que não existe é no mínimo uma grande maldade ou a defesa de algum interesse.
Na minha opinião, as religiões deveriam ensinar o acostume-te a sofrer, ame seu destino, bons momentos vem e vão, quem você inveja, muitas vezes, é menos feliz que você...
Assim as pessoas deixam de ser infeliz porque sofrem e param de invejar quem muitas vezes está numa pior maior que a dele...
Glauber da Rocha - escritor

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